Eletroconvulsoterapia - ECT

A Eletroconvulsoterapia (ECT) é uma técnica de neuromodulação criada na primeira metade do século XX e aprimorada décadas depois. Bastante efetiva em muitos casos graves, atualmente é usada em centros de excelência no Brasil, nos EUA, Canadá, Reino Unido.

 

Trata-se da estimulação de todo o cérebro por uma corrente elétrica mínima que induz a uma crise convulsiva generalizada e controlada, com duração de segundos, que ocorre com o paciente já dormindo sob anestesia geral e relaxamento muscular, deitado sobre uma cama;  o procedimento todo é realizado em centro cirúrgico.

 

Esta crise convulsiva controlada é que provoca os efeitos positivos do tratamento. Diferente de uma crise convulsiva epiléptica, tem hora para começar e terminar, acontece sob assistência médica, com o paciente bem oxigenado, com sua frequência cardíaca e pressão arterial controladas.

 

Como age a ECT?

Ao induzir uma crise convulsiva tônico-clônica generalizada no cérebro provoca-se efeitos positivos como a liberação de neurotransmissores e mesmo a indução gênica em algumas regiões, modificando seu funcionamento de modo positivo e duradouro, além de tornar a membrana neuronal mais "estável", motivo pelo qual a ECT trata epilepsias também.

 

É importante ressaltar que não se trata de uma crise epiléptica, mas de uma crise convulsiva induzida, controlada, na qual o paciente está anestesiado e sob o efeito de relaxantes musculares, portanto, não fica “se debatendo” sobre a maca, nem sob o risco de fraturas. Além disto, o paciente está sob assistência ventilatória (oxigênio), e tudo ocorre de modo muito rápido, bastando a crise durar cerca de 25 segundos para ser eficiente.

 

 

Tudo é feito com assistência de uma médica anestesiologista com experiência em ECT.

 

Como é feita a ECT?

Atualmente a ECT somente é feita em ambiente hospitalar, em nosso meio em centro cirúrgico, onde há provisão de oxigênio, monitor cardíaco, oxímetro, dentre outros equipamentos de suporte à vida, necessários para que o procedimento continue sendo seguro. Entretanto, não é necessário o paciente permanecer internado (a pessoa fica no hospital menos de 6 horas - day hospital).

 

Assim, a ECT é feita com o paciente chegando ao hospital em jejum absoluto, sendo recebido pela equipe, encaminhado a anestesiologista, conduzido a sala cirúrgica, colocado em anestesia geral endovenosa e realizado o relaxamento muscular. Com o paciente já anestesiado a psiquiatra então aplica-lhe o estímulo elétrico ultrabreve/breve adequado e observa a eficácia: um tempo de crise convulsiva igual ou maior que 25 segundos. 

 

A anestesia geral dura no máximo 7 minutos e a ECT dura segundos.

 

Em seguida o paciente é oxigenado pela médica anestesiologista, que inicia a recuperação pós-anestésica.

 

Logo depois o paciente acordará e voltará para sua casa.

 

Podem ser feitas sessões em dias alternados (três vezes por semana) ou duas  vezes por semana.

 

O número de sessões necessário é variável, conforme a diagnóstico, a gravidade de doença e a fase de tratamento.

 

 

Tipos de ECT

Quanto a fase do tratamento:

  • Fase Aguda: para retirar o paciente da crise, ou provocar remissão total de sintomas, com algumas sessões semanais, duas ou três, durante algumas semanas.
  • Fase de Manutenção: após sair da Fase Aguda, para evitar recaídas, em vez de retomar o uso de medicamentos prefere-se a manutenção de sessões esparsas (quinzenais/mensais) por alguns meses.

 

Quanto ao tipo de estímulo aplicado:

  • Ultrabreve: somente alguns equipamentos, como o que nós utilizamos, dispõem desta possibilidade, provoca menos efeitos colaterais para a memória.

  • Breve.

 

Quanto a posição dos eletrodos para aplicação do estímulo:

  • Unilateral
  • Bilateral

 

Para quem está indicada a ECT?

São várias as indicações, dentre elas:

  • Depressão

  • Crises de mania

  • Transtorno Bipolar

  • Esquizofrenia

  • Transtorno Esquizoafetivo

  • Epilepsia

  • Doença de Parkinson

  • Síndrome Neuroléptica Maligna

  • Transtornos Mentais Orgânicos: certas formas de doença de Parkinson, Crises convulsivas primárias ou refratárias aos anticonvulsivantes, psicoses epilépticas, hipopituitarismo com sintomas depressivos, Síndrome Neuroléptica Maligna, etc.

 

A ECT pode ser feita em crianças, adolescentes, adultos e idosos.

Em grávidas que estejam em crises graves das doenças acima elencadas a ECT ainda é uma alternativa melhor para o bebê que o uso de psicofármacos.

 

Quero fazer a ECT, como proceder?

Se você já é tratado por um médico e for possível pedir-lhe um relatório que contenha os aspectos mais relevantes da sua doença como diagnóstico(s), há quanto tempo tem a doença, o nome e as doses dos medicamentos já utilizados por você.

 

Se você não dispuser deste relatório não tem problema. Ele não é fundamental. Você poderá vir sozinho ou, preferencialmente acompanhado, para uma consulta conosco, e nos relatar a história de sua doença: há quanto tempo está doente, seus sintomas, como pioram, que remédios tomou, se houve melhora, etc.

 

Em nosso consultório avaliaremos seu caso: se você não possui indicação para a ELETROCONVULSOTERAPIA (se o procedimento poderá beneficiá-lo), isto é, se de fato poderá servir ao seu caso. Se você tiver indicação sem contra-indicação para a ECT poderemos então solicitar os exames necessários ao procedimento.

 

Após termos os resultados dos exames em mãos o paciente irá para a consulta pré-anestésica com a Profa. Dra. Maria Stela Melo Santos Taqueda.

 

Profa. Dra. Stela tem experiência em anestesiologia para ECT desde sua residência médica na USP, foi anestesiologista da equipe do Prof. Dr. Zerbini (em São Paulo) e há mais de 20 anos é professora de anestesiologia da UFS. É ela que fará também a anestesia do ECT.

 
 
Onde é feita a ECT?

A ELETRONCONVULSOTERAPIA é feita no HOSPITAL SEMPRE-VIVA, no centro cirúrgico, onde o paciente fica monitorizado: em uso de monitor cardiáco, monitor de pressão arterial, oxímetro, venóclise (acesso venoso - soro no veia). Durante e após o procediemento o paciente faz uso de oxigênio. A experiência da equipe, a vasta disponibilidade de recursos para a manutenção da vida e a rapidez do procedimento tornam o procedimento extremamente seguro. 

 

 
É perigoso fazer ECT?

Segundo artigos científicos demonstram, neste tipo de anestesia o número de mortes é de 1 para cada 100.000 casos tratados. De 1999 para 2010 foi levantada a estatística específica da ECT nos EUA e encontraram a relação de 1 morte para cada 73.440 tratamentos. Portanto, é um procedimento seguro.

 
 
Quem não pode fazer ECT?

São contra-indicações para a ECT: 

  • Lesões cerebrais expansivas
  • Hemorragia intracerebral recente
  • Aneurismas ou malformações vasculares
  • Doença coronariana crônica
  • Infarto recente do miocárdio (há menos de 6 meses)
  • Hipertensão Arterial Sistêmica descontrolada
  • Feocromocitoma
  • Uso de anticoagulantes orais
  • Glaucoma e descolamento de retina
  • Luxações ou subluxações cervicais sem lesão em medula espinal
Mitos sobre ECT

Como ocorre com os transtornos mentais, o diagnóstico e o tratamento destas doenças também sofre muito preconceito. Do preconceito nascem as inverdades criadas por quem nunca portou uma transtorno mental, ou nunca conviveu de fato com o sofrimento do portador, nem tampouco foi parte do tratamento: surgem os mitos. E ainda há muitas inverdades sobre a ECT, por exemplo:

  •   ELETROCONVULSOTERAPIA seria igual a ELETROCHOQUE - MENTIRA:  Uma pessoa que recebe um choque ela tem uma queimadura na pele e o ECT não provoca queimadura, nem na superfície, nem abaixo da pele. A corrente utilizada é propícia a ativação neuronal e não à lesão das estruturas orgânicas.

  •   ELETROCONVULSOTERAPIA "fritaria os miolos", destruiria os neurônios - MENTIRA. A carga máxima de estímulo elétrico que o equipamento de ECT é capaz de emitir (mesmo se colocado na carga máxima!) equivale a cerca de 2/3 do mínimo que se aplica com o equipamento de CARDIOVERSÃO na emergência, no peito do paciente, quando se quer que o coração volte a bater! E olha que a calota craniana é protege bem mais que a caixa torácica!! Tanto o equipamento de ECT quanto o equipamento de cadioversão salvam vidas, porque ambos são instrumentos manipulados por médicos, que os utilizam quando há indicação, em situações de gravidade correspondente. Tanto o coração quanto o cérebro envolvem em sua fisiologia estímulo elétrico e utilizá-lo em seu tratamento não é tortura, mas uma forma de salvar vidas que condiz com seu modo de funcionamento.

  •   A ELETROCONVULSOTERAPIA provocaria perda definitiva da memória - MENTIRA.

  •   A ELETROCONVULSOTERAPIA causaria demência - MENTIRA. O que causa demência é doença mental grave ou doença neuropsiquiátrica grave, muito tempo sintomática, sem tratamento, porque provoca morte neuronal. Mas a perda de memória que a ECT provoca é temporária, dura cerca de até 6 meses para recuperação total e ECT não provoca morte neuronal.

  •   A ELETROCONVULSOTERAPIA provocaria derrame, AVC, isquemia cerebral - MENTIRA. A ECT não é sequer um tratamento novo, está próximo de podermos chamá-lo de secular e há diversas pesquisas que mostram que ECT não provoca isquemia cerebral/AVC/derrame.

Histórias de sucesso em ECT

DEPOIMENTO DE UM MÉDICO SUBMETIDO A ELETROCONVULSOTERAPIA

Cirurgião, professor de medicina e escritor premiado, Sherwin Nuland discute o desenvolvimento da eletroconvulsoterapia (ECT) como uma cura para a depressão aguda com risco de morte — inclusive a sua própria depressão.

É um relato tocante e comovente a respeito de alívio, redenção e uma segunda chance que a ECT lhe proporcionou.

 

 

DEPOIMENTO DE FAMILIAR NA INTERNET