Tratando a Depressão com Eletroconvulsoterapia - ECT

A ECT é um tratamento que permite a muitas pessoas com depressão voltarem a viver, retomarem suas vidas. Desconhecido para muitos, é um tratamento reconhecido como mundialmente eficaz para depressão, validado há anos no Brasil, tanto por centros de pesquisa, quanto pelo Conselho Federal de Medicina. 

Várias são as situações em que se indica a ELETROCONVULSOTERAPIA (ECT) para tratar DEPRESSÕES, entretanto, destacamos situações em que haja URGÊNCIA na retirada da pessoa do quadro depressivo OU situações em que haja REFRATARIEDADE ou RESISTÊNCIA aos outros tratamentos sejam eles medicamentosos, psicoterápicos ou Estimulação Magnética Transcraniana. Para o tratamento das depressões a série eficaz de ECT deve conter 12 sessões. Não há resposta na ECT para tratamento agudo da depressão com menos de 6 sessões. Alguns pacientes somente experimentam remissão completa de sintomas com mais de 12 sessões, o máximo utilizado para fase aguda são 20 sessões. 

Podem ser feitas mais sessões, desde que contemplando um esquema de manutenção, em pacientes que não conseguem manter-se em remissão com medicamentos. 

Quais as indicações para tratar a depressão com ECT?

  • Depressão com risco de morte por suicídio.
  • Depressão com risco de morte por inapetência (não está se alimentando).
  • Depressão resistente. Não tolera os medicamentos ou responde apenas parcialmente aos medicamentos ou a Estimulação Magnética Transcraniana.
  • Depressão refratária. Não responde a medicamentos nem a Estimulação Magnética Transcraniana.
  • Depressão pós-parto com os riscos acima
  • Depressão na gravidez que não responde à Estimulação Magnética Transcraniana.
  • Depressão bipolar.
  • Casos de depressão com histórico de boa resposta à ECT.
 

Quais as chances de SUCESSO no tratamento da depressão com ECT?

 

Isto depende de algumas variáveis como: tipo de depressão, tempo de duração do episódio depressivo, tempo de doença, histórico médico, história pessoal, quantidade de sessões de ECT realizadas, ECT unilateral ou bilateral, etc. Vejamos dados científicos a respeito: 

  • Entre pacientes que deprimidos que realizaram o tratamento completo, utilizando ECT bilateral, ocorre remissão completa de sintomas em 87% dos casos

"Husain et al., na avaliação de pacientes com depressão maior submetidos à ECT bilateral, demonstraram que 75% da amostra e 87% dos pacientes que completaram a série de ECT (que realizaram mais de 10 sessões) apresentaram remissão completa (HRSD com escore menor que 10)". Husain MM, Rush AJ, Fink M, Knapp R, Petrides G, Rummans T, Biggs MM, O’Connor K, Rasmussen K, Litle M, Zhao W, Bernstein HJ, Smith G, Mueller M, McClintock SM, Bailine SH, Kellner CH. Speed of response and remission in major depressive disorder with acute electroconvulsive therapy (ECT): a consortium for research in ECT (CORE) Report. J Clin Psychiatry. 2004;65(4):485-91. 

  • Entre pacientes deprimidos que fizeram apenas 6 sessões a taxa de remissão cai para apenas 15%, porque não completaram o tratamento. 

"Num estudo com 92 pacientes deprimidos submetidos a seis sessões de ECT, apenas 15% alcançaram a remissão". Eschweiler GW, Vonthein R, Bode R, Huell M, Conca A, Peters O, Mende-Lechler S, Peters J, Klecha D, Prapotnik M, DiPauli J, Wild B, Plewnia C, Bartels M, Schlotter W. Clinical efficacy and cognitive side effects of bifrontal versus right unilateral electroconvulsive therapy (ECT): A short-term randomized controlled trial in pharmaco-resistant major depression. J Affect Disord. 2007;101(1-3):149-57.

 

ECT e ketamina (cetamina) no tratamento da depressão

A Ketamina, ou cetamina, é um anestésico sintetizado em 1962, de uso intravenoso e ação sobre o sistema nervoso central. A partir de 2010, estudos começaram a apontar o potencial antidepressivo desta substância. Atualmente seu uso, prossegue restrito como anestésico. No caso da ELETROCONVULSOTERAPIA, centros em todo mundo, passaram a utilizar também esta medicação para o procedimento.

"Cetamina: a esperança na cura da depressão"

Entretanto, o uso de Ketamina neste procedimento é uma eventualidade, que depende da elegibilidade do caso, isto é, de algumas variáveis como:

  • tipo de depressão
  • severidade do caso
  • ausência de contra-indicações para esta medicação 

A ketamina apesar de ter suas vantagens em relação à melhora de sintomas depressivos, apresenta desvantagens em relação a ocorrência de efeitos colaterais que outros anestésicos, mais modernos não apresentam.

Portanto, a decisão de realizar a ECT com Ketamina é uma decisão médica, que contempla vários fatores relativos ao paciente e à doença que ele apresenta.

Temos experiências bem sucedidas no tratamento de paciente deprimido com ECT potencializada com o anestésico KETAMINA. 

Depoimento de CLARICE*, paciente portadora de Depressão, que fez ECT em Aracaju, conosco.

"Há mais de cinco anos eu não sabia mais o que era um sorriso, uma gargalhada.

Só pensava em suicídio. A angústia, a ansiedade não deixavam nem que eu fizesse a comida. 

O corpo só pedia cama.

No primeiro ano de doença passei por vários psiquiatras… Depois fiquei com uma.

Minha psiquiatra já tinha passado tanto tipo de remédio pra mim…. nada servia…

Minhas filhas diziam que toda hora eu perguntava a mesma coisa a elas. Eu chegava a ligar pra elas pra perguntar se aquela doença era um castigo pelo que eu tinha feito a fulano ou a beltrano… Elas diziam que eu não tinha feito nada daquilo de que eu me achava culpada, mas eu achava que eu tinha culpa por tudo…

Não tinha mais paciência de ver novela, nem as missas, nem nada! Ficava com a televisão ligada na Canção Nova, mas parecia que eu estava paralisada… fora de mim.

Tinha horas que eu só pensava em sair de casa e me jogar na frente de um carro!

Não tinha vontade mais de cuidar do meu cabelo, de fazer uma unha… só de ficar deitada chorando… outros dias de ficar andando pela casa com dor no corpo todo…

Cheguei a fazer Estimulação Magnética, mas também não serviu…

Depois que fiz a ECT com a Dra Glaise minha alegria voltou! Voltei a fazer as coisas em casa, a sair pro shopping, a brincar com minha neta… voltei a dar as gargalhadas gostosas de antes…

 

Depois do ECT estou como antes da depressão."

Clarice* é nome fictício para proteger a real identidade da paciente que gentilmente nos forneceu este depoimento.

Clarice tinha 60 anos quando fez ECT, e mais de 5 anos de depressão. 

Passados 2 anos do ECT, Clarice prossegue vivendo muito bem.

Depoimento de portador de DEPRESSÃO submetido à ECT, dispnível na internet.